Encontrámo-nos pela manhã no Miradouro de São Pedro de Alcântara. A Polina surgiu com o seu primeiro visual: uma camisola cinzenta de ombros descobertos muito elegante e saia plissada.
A sua paixão pela cultura coreana e pela estética K-style era evidente no cuidado do visual e na sua postura delicada. No entanto, revelava-se bastante tímida e reservada. Perante estranhos, a Polina costuma erguer uma barreira fria, guardando as suas verdadeiras expressões apenas para os mais próximos.
Criar essa ligação foi um desafio fascinante. Aos 46 anos, fotografar uma jovem de 14 anos cujo casamento dos pais registei antes de ela nascer traz uma evidente diferença de gerações.
Os adolescentes fecham-se de imediato se sentirem poses forçadas. Em vez disso, concentrámo-nos em fotografar junto à fonte histórica do miradouro, conversando sobre música e viagens num ambiente descontraído.
O momento de viragem deu-se quando virei a câmara. Após alguns retratos junto à fonte na luz suave da manhã, mostrei-lhe as fotos no ecrã.
Ao ver como estava natural e fotogénica, a sua postura transformou-se num segundo. Os ombros descontraíram, surgiu um sorriso genuíno e toda a reserva inicial deu lugar a um entusiasmo espontâneo.
Ainda com o primeiro visual cinzento, começámos a descer pelas ruelas pitorescas de calçada do Bairro Alto.
A escolha de um pacote flexível de 2 horas deu-nos a liberdade de percorrer a cidade com tranquilidade e conversar como amigos, sem olhar para o relógio.
Mesmo antes de chegarmos ao Elevador da Bica, a Polina vestiu o segundo visual: uma t-shirt branca com um número desportivo grande estampado à frente.
O elétrico vintage amarelo encontrava-se parado na calçada íngreme naquela manhã, proporcionando um cenário autêntico e sem multidões de turistas.
Continuámos a descida a pé, aproveitando as vistas panorâmicas sobre a cidade. Chegámos perto do Miradouro de Santa Catarina, mas o sol já estava demasiado forte e quente.
Para evitar a luz direta e abrasadora, tirámos apenas alguns retratos rápidos ao lado e seguimos de imediato à procura de escadinhas e recantos com sombra.
Explorar as escadas históricas à sombra tornou-se uma brincadeira divertida. A Polina já não estava apenas a posar; ria com naturalidade e participava ativamente na escolha dos recantos.
Captar as emoções reais que habitualmente só a família testemunha é o verdadeiro objetivo de uma sessão com adolescentes.
A caminhada levou-nos até ao Cais do Sodré e ao jardim verdejante junto ao Time Out Market (Jardim Dom Luís).
Aqui, a Polina vestiu o terceiro visual, leve e descontraído, perfeito para um passeio entre as palmeiras e os bancos do parque.
Com a confiança recuperada, cada fotografia ganhou vida. Os seus traços delicados e o seu gosto apurado revelaram uma presença marcante diante da câmara, registando essa transição fascinante entre a infância e a juventude.
Enquanto aguardávamos que os pais regressassem do passeio junto ao rio, entrámos no Time Out Market para alguns retratos finais.
Os neons coloridos, as texturas de madeira e o ambiente urbano do espaço deram um toque cinematográfico ao fecho da manhã.
No final da sessão, eu e a Polina éramos grandes amigos. Tanto ela como os pais adoraram o resultado da galeria.
De resto, temos mantido contacto desde então, com a Polina a pedir-me conselhos sobre os primeiros passos no mundo da moda. Vencer essa distância entre gerações e ajudar uma jovem tímida a reconhecer a sua beleza e confiança é o que torna este trabalho tão recompensador.































































